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Acabou de sair no Nua&Crua.com meu artigo publicado no Imprensa Livre da última quinta-feira (04/07/2013).
Amanhã, segunda (08/07/2013), publicarei o áudio respectivo.

SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA

Não, não vou informar endereços e telefones de serviços de utilidade pública.  Se bem que seria conveniente deixar aqui um protesto: se a delegacia e o pronto-socorro continuam abertos, por que a adega do Pontal da Cruz fechou?  Mas vou deixar para um próximo texto a heroica história da “Apotheca Cervisia”.
Quero hoje, na verdade, fornecer alguns conselhos úteis aos homens, diante de algumas condutas daqueles seres mais enigmáticos que existem: as mulheres.
Sábado, final de tarde, você já está antevendo a pizza de algumas horas depois, sua mulher chega e faz aquela pergunta:
- Está vendo algo de diferente em mim?
Nesse momento, a melhor ferramenta é a cautela.  Em primeiro lugar, faça aquela cara de paisagem pré-primavera.  Busque relacionar mentalmente, então, os dados disponíveis:
1 – você não está vendo nada de diferente na sua cara-metade, alma-gêmea, parceira;
2 – ela ficou seis horas fora de casa, mas onde?  No cabeleireiro?  Na manicure?  Na loja de roupas?  De calçados? De joias/bijuterias?
Se, feita essa constatação prévia, você continuar na mesma ignorância sobre uma eventual mudança em sua mulher, nada melhor do que apelar:
- Meu amor, para mim, você está sempre brilhando, iluminando a minha vida…nenhuma mudança no cabelo, nas unhas, nas roupas ou nos adereços seria capaz de alterar o que vejo, quando olho para você: só uma luz cheia de Amor, quente, vibrando na mesma frequência da minha paixão eterna.
Se nem isso colar, boa sorte!
Uma outra circunstância perigosa ocorre quando sua mulher, não muito acostumada com as lides gastronômicas, prepara um prato especial para você.  Na primeira garfada, você tem a impressão de estar comendo um torrão de sal.  Vem, então, a pergunta fatal:
- Está bom, querido?
Imediatamente você responderá afirmativamente.  Até aqui, tudo bem…  Mas…e o resto da guloseima?  Eis uma sugestão: com cara de assustado comedido,  você contorce a cintura, como se seu telefone celular estivesse vibrando.  Simule atender o telefone, levante-se e faça como aquelas pessoas que, se não saem em direção ao horizonte, não conseguem conversar no celular.  Não precisa ir até o horizonte; fuja para o quintal, sempre falando; quando passar pelo tanque, abra a torneira e aproveite para beber bastante água, a fim de aplacar a salina ingerida.  Vá para lá e para cá, até que sua mulher saia da cozinha.  Pegue seu prato e jogue aquele verdadeiro extrato de salitre fora, deixando o equivalente a uma colher (ou meia, se estiver muito…muito salgado).  Quando sua mulher voltar para a cozinha, coma com gosto aquele resto, alise a barriga e diga:
- Meu bem, nunca, mas nunca comi um prato tão gostoso.  Não bastasse sua ternura, sua beleza e seu companheirismo, na cozinha você faz mágica!
ADVERTÊNCIA: se não tiver um telefone celular…que pena…

Edição de 29/06/2013

Em maio, de férias, seis da tarde.  Ocupei uma das mesas da Riviera Pontal, nova padaria do Pontal da Cruz.  Os veículos com sentido a Caraguatatuba não podem virar naquela rua: uma placa enorme indica isso; o senso de segurança, também.  A menos de cem metros existe um retorno.  Mesmo assim, um médico fez a conversão, impedindo o prosseguimento dos que estavam certos, os quais protestaram com buzinas.  O médico fez um gesto não muito gentil e fez a conversão proibida.  Muitos outros fizeram o mesmo: carrões, populares, velhinhos.  Não respeitam uma placa, mas querem que os políticos sejam anjos…

CANSEI DE BATER PALMAS PARA LOUCO DANÇAR

Pensei que, depois de meus dois textos sobre essas manifestações de protesto que estão ocorrendo pelo Brasil, poderia deixar de lado esse tema.  A vida real, porém, pede que eu continue.
Na última quarta-feira, depois de um dia de trabalho, fui fazer compras em um supermercado de São Sebastião.  Lá dentro, depois de alguns minutos, ouvi vozes e sons de apitos vindos da rua.  Paguei minha compra (que incluía alguns produtos perecíveis), guardei-a em meu carro e percebi que não havia como ir para minha casa: um grupo de manifestantes impedia o trânsito na Av. Guarda-Mor Lobo Viana.  Além de ser a única ligação do norte de São Sebastião com o  Centro, trata-se de uma rodovia estadual (que, aliás, integra o traçado da BR-101).  Carros, ônibus, motocicletas precisaram parar, formando-se um grande congestionamento.
Os responsáveis por esse desrespeito ao direito de ir e vir de tantas pessoas eram vinte ou trinta adolescentes.  Uns apitavam, outros pulavam; alguns dançavam, outros gesticulavam; uns posavam de diretores de harmonia do protesto; outros seguravam cartazes.  Além dos adolescentes, uns poucos adultos, quase todos figurinhas carimbadas sebastianenses.
Os adolescentes que estavam impedindo que eu pudesse ir para casa pareciam ser alunos de escola paga; estavam mais para filhinhos e filhinhas de papai do que para povão.  Estavam mais para pessoas que buscavam sublimar o desconforto típico dessa fase da vida, em que as meninas se assustam com as mudanças em seu corpo, em que os meninos se assustam com a mudança em suas vozes.
Algumas meninas (aparentemente do ensino médio) posaram vaidosamente com um cartaz, diante dos cliques dos fotógrafos.  Eu não aguentei e gritei: nesse cartaz faltam um hífen e uma crase!  As meninas não gostaram e riram, debochando de mim.  Parece que nem perceberam que riam do próprio desconhecimento da língua portuguesa…que já deveriam conhecer.  Nesse momento, um rapaz que estava perto de mim argumentou que aquilo era exemplo de que era preciso aquele protesto, com o fim de melhorar a Educação.  Retruquei que elas poderiam, pelo menos, ter confirmado com algum professor se a frase estava escrita corretamente (até mesmo o Professor Google poderia ter sanado essa dúvida).  Acrescentei que a biblioteca é gratuita; lá existem muitas gramáticas).
Aos dezoito, vinte, vinte e poucos anos, eu participei de muitos movimentos sociais, da fundação do PT à luta pelas eleições diretas.  Já driblei a cavalaria, buscando livrar-me dos cassetetes e do gás lacrimogêneo.  Terminei a faculdade e continuei, pela vida, seja na profissão, seja nos meus escritos, seja na minha esfera privada, a buscar dar meus passos de acordo com os ideais de Justiça que sempre abracei.  E a forma de ação desses manifestantes está muito longe da Justiça, muito distante da Democracia.
O que vi naquele triste espetáculo foram muitos ditadores, achando-se no direito de decidirem se eu poderia ou não ir e vir.  Minha paciência se esgotou.  Dirigi-me ao oficial da Polícia Militar ali presente e disse a ele – na condição de cidadão brasileiro – que os manifestantes, caso confiassem na força de seus protestos, poderiam fazer isso no aterro da Rua da Praia, que o povo iria atrás deles.  Se não confiavam tanto assim em seu taco, poderiam, pelo menos, liberar metade da rodovia, a fim de que o trânsito pudesse fluir (mesmo que no sistema “pare e siga”).  Disse, ainda, que, se nada disso fosse feito em dez minutos, eu iria – como cidadão brasileiro, repito – procurar os ocupantes de cada veículo que estava parado, convidando-os a protestarem comigo contra o abuso daqueles manifestantes.
Nada disso foi necessário, pois, em dois minutos, os adolescentes passaram a caminhar em direção à Rua da Praia (e essa saída nada teve a ver com o meu plano).
Respeito, sim o direito de manifestação dessas pessoas.  Mas se elas buscam a Democracia, precisam tolerar meu direito de ir e vir.
Saddam Hussein já morreu; a minha paciência, também.  Os ainda lúcidos precisamos reagir contra esses ditadores juvenis.  Luta não é luau; luta é doação com responsabilidade.  Chega de fechamento da Dutra por vinte lunáticos!  Ainda estamos (ou deveríamos estar) num Estado de Direito!  Chega!

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    P.S. : Só para relembrar: quando se decidiu que o Brasil sediaria a Copa, houve um verdadeiro Carnaval em todo o Brasil…
    P.S. 2: Os brasileiros, principalmente os adolescentes, adoram importar bobagens dos Estados Unidos.  Lá, para se fazer uma manifestação pública, é necessário alvará; e nem em sonho os protestos podem interromper ruas ou rodovias.  Por que não importam isso?

O OVO DA DITADURA

Como escrevi no meu último texto, as manifestações em andamento, que começaram como protesto contra o aumento das tarifas dos ônibus, passaram a incluir um sem número de motivações.  É um balaio tão grande de palavras de ordem, de cartazes, de grupos, que fica impossível especificar qual a causa motivadora dos protestos.
Não obstante isso, começa a ficar claro o viés que norteia essas manifestações.  Trata-se de um viés extremamente conservador, de extrema direita.  Vozes já são ouvidas pedindo a volta dos militares ao poder; ombros clamam por um salvador da Pátria para ser carregado rumo a Brasília (o mais cotado é o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Joaquim Barbosa); ultradireitaças e brucutus de várias denominações querem quebrar e arrebentar, buscando alcançar o mundo do “pior impossível”.
Falar de política entre esses manifestantes é crime.  Falar de política partidária, então, pode levar o incauto à pena de morte.  O problema é que só há dois caminhos: o Estado de Direito, com a Democracia e o respeito à Constituição e às leis, de um lado; do outro, o Estado da Força, a ditadura.  Como se diz, o Estado de Direito tem muitos problemas; não se inventou, porém, até hoje, nada melhor.  É claro que existe um terceiro “caminho”: a anarquia pura e simples, romanticamente bonita, mas, na prática, devastadora de tudo e de todos.
O que você diria se, numa partida de futebol, aos quinze minutos do segundo tempo, com o placar em 3 a 2, o time vencedor pedisse ao juiz para dar o apito final aos 16 minutos?  E se o time perdedor pedisse ao árbitro para que terminasse a partida apenas aos 120 minutos?  Creio que todos consideraríamos essas atitudes uma quebra das regras previamente ajustadas, um estrondoso casuísmo.
Pois bem: alguns manifestantes estão cobrando a renúncia de Renan Calheiros.  Não sou fã de tal senador, mas ele foi eleito pelo povo, povo não de Marte, Saturno ou Júpiter, mas do Brasil.  Cobrar sua renúncia não é casuísmo?  Ou as leis só devem ser cumpridas quando nos são convenientes?
E a PEC 37?  Se o povo só confia no Ministério Público, considerando as polícias federal e civil incompetentes para investigar políticos, por que não fechar as polícias?  Penso que seria melhor dar às polícias as mesmas garantias (e salários) do Ministério Público, mas parece que isso nunca vai acontecer…
O que vejo, na verdade, é um bando de pessoas sendo manipuladas por um viés de direita, pregando itens da mais conservadora cartilha neoliberal, clamando pela diminuição do Estado, pelo fim dos partidos políticos, pela quebra das instituições.  O mais engraçado é que, nas próximas eleições, essas pessoas vão colocar no poder muitos daqueles nos quais estão hoje atirando pedras.
Esses protestos não buscam construir um mundo novo; buscam apenas destruir instituições que foram conseguidas com muita luta real.  Seus maiores agitadores são jovens entediados com seus videogames, smartphones e tablets, buscando uma aventura, imaginando-se tripulantes da USS Enterprise promovendo uma revolução em algum planeta da federação.
Estamos, porém, no Brasil.  Aqui se vota nos mandatários do Executivo e do Legislativo.  Aqui temos uma Constituição.  Aqui temos leis.  Aqui temos audiências públicas.  Aliás, eu sou contra o Brasil sediar a copa, mas sei que foram realizadas várias audiências públicas sobre esse assunto.  Por que os manifestantes de hoje não foram a essas audiências marcar suas posições?
A Democracia é um jogo com regras, com ferramentas úteis, permanentemente passível de melhorias.  É claro que há muitos erros nas nossas instituições: precisamos corrigi-las, não acabar com elas.  E precisamos, em primeiro lugar, corrigirmos a nós mesmos.
Quem não respeita a Democracia, corre o risco de repetir Pelé, dizendo que o brasileiro não sabe votar.  Dessa maneira, apelam para a outra única saída: a ditadura.
É claro que, entre os manifestantes, há muitos que estão com boas intenções.
Mas, como se diz, de boas intenções…

VIRAL HUMANO

Semanas atrás eu publiquei um site com serviços úteis, interessantes.  Fiz uma página no Facebook para promovê-lo.  Pedi, então, para que o filho de uma amiga (verdadeiro fanático por essa rede social) me ajudasse a repercutir aquela página.  O resultado foi (aparentemente, descobri depois) extraordinário: em duas horas, quase trezentas pessoas haviam “curtido” a minha página.  “Sucesso”, pensei.  Constatei, para minha tristeza, que nenhum desses curtidores havia visto o site…  Descobri que essas redes sociais são, na aparência, poderosas; no fundo, porém, são ocas, artificiais, desprovidas de substância.
Constato esse mesmo vazio no movimento inicialmente denominado “passe livre”.  Ele começou, dias atrás, com o objetivo de obter o direito ao transporte gratuito; posteriormente, pleiteava pelo menos o cancelamento do recente reajuste no preço dos ônibus; de repente, ele passou a pleitear…não sei especificar…ninguém sabe…muito menos os respectivos manifestantes.
Acompanhei, pela TV, alguns dos espetáculos proporcionados pelos manifestantes; em São Sebastião, vi pessoalmente essa marcha em busca de…
Em primeiro lugar, estamos numa democracia – por mais que possa ser apenas formal – elegemos livremente o presidente, o governador, o prefeito, o senador, o deputado estadual e o federal, os vereadores.  Até para o governo assentar um prego, são realizadas audiências públicas.  ONGs e outras instituições autodenominadas representantes da sociedade civil fazem barulho por isto ou aquilo (menos por, muitas delas, receberem dinheiro “no mole” de estrangeiros que pensam que vivemos em árvores).  A imprensa tem plena liberdade de publicar qualquer coisa, inclusive o lixo mentiroso que povoa os denominados grandes meios de comunicação.  Logo, se esses manifestantes estiverem gritando “Abaixo a Ditadura!”, estão no mínimo deslocados no tempo e no espaço.
Em segundo lugar (conclusão parcial do parágrafo anterior), se essas pessoas estão protestando contra nossos políticos, precisam lembrar-se de que estes chegaram ao poder não pelo voto de marcianos, mas sim de brasileiros.
Em terceiro lugar, esses manifestantes deveriam constatar que, antes do governo federal do PT, a população (muitos deles, aliás), não tinha tanto acesso à comida, à educação, à dignidade mínima que todo ser humano merece.
Imagino que esse movimento tenha começado como brincadeira de um nerd vaidoso (uma ambiguidade, eu sei) de treze anos.  E aí as pessoas foram curtindo, curtindo, até que foram aos locais de encontro indicados.  E aí saíram pelo horizonte, gritando palavras de ordem as mais díspares…e – hoje – sem sentido.  Assim como ocorreu com a minha página, essas pessoas repercutiram, com seus pés, mãos e bocas, o chamado recebido.  Só faltou a cabeça.
Essas pessoas devem estar imaginando-se na Bastilha, em 1789; na Praça da Sé, em 1984, bradando pelas “Diretas Já” (eu estava lá); na Praça da Paz Celestial, em 1989, impedindo o tráfego de tanques.  Na verdade, porém, estão apenas em um Carnaval temporão, em um luau urbano, em uma festa, buscando a lente mais próxima para se exibirem.
Tudo isso não passa de um viral humano.  Virais podem fazer muito barulho, mas não possuem nenhuma qualidade (ou você acha que “Gangnam Style” ou “Para Nossa Alegria” vão ficar na História da Música?).  Quando muito, esses manifestantes lembram os tristes caras-pintadas de 1992.  Estes – tão festivos como os que, hoje, usam máscaras de “V de vingança”, não derrubaram Collor; ele mesmo causou sua queda, ao não ceder aos apelos de grande parte dos deputados e senadores por uma maior participação no poder.
Lutas precisam ter uma causa.  Lutadores precisam de líderes.  Sem esses requisitos, corremos os riscos causados pela denominada “Primavera Árabe”, com ditadores sendo substituídos por outros ditadores ainda piores do que os que caíram.
Além de tudo isso, grande parte desses manifestantes, embora façam ares de politicamente corretos, furam filas, não respeitam as leis de trânsito (e muitas outras), não registram suas empregadas…são meros cultivadores da “Lei de Gérson”.
Meu primeiro conselho: consertem, em primeiro lugar, vocês mesmos.  Quem não respeita uma simples fila…o que faria, se fosse um deputado, diante de uma proposta de cinco milhões de reais?
Segundo conselho: definam causas por que lutar.  Sugestões: financiamento público de campanha; voto distrital; instituição da possibilidade de destituição popular dos mandatários; eleição popular para os tribunais (ao menos parcialmente); proibir que alguém ganhe mais de (por exemplo) dez vezes o que ganha a pessoa que ganha menos (na Suécia, esse número já foi cinco); em termos locais, passagem cobrada por seções (quem pega o ônibus no Centro, com destino ao Itatinga, paga menos do que quem pega até Boiçucanga).
Último conselho: estudar…sempre.  Grande parte dos manifestantes não sabe nada de História: pensam que a História do Mundo começou pela manhã; pensam que a História do Brasil começou na hora do almoço.  Quem não conhece o passado, repete os erros já cometidos.  E as bibliotecas são de graça.
O resto é festa…

Edição de 04/05/2013

Várias tradições de busca espiritual indicavam uma meditação inusitada; inusitada, mas muito eficiente como auxiliar na quebra do monstro, do veneno, do ladrão, do sequestrador chamado ego ou falso eu, que nada mais é do que aquilo que imaginamos que somos.  A meditação consiste em relaxar, apenas observando a respiração e a sucessão frenética dos pensamentos, sem nenhum julgamento, só observando o que está acontecendo.  Depois de algum tempo, imaginar nossa morte, nosso velório, nosso enterro…um mês depois…um ano depois…cinco anos depois…dez anos depois.  Em cada um desses momentos, perguntar: “quem sou eu?”; “o que é meu?”.  Isso poderá doer…